CASA ZUZU ANGEL

Trabalhamos sobre uma residência histórica na Usina da Tijuca, no Rio de Janeiro, adequando seus espaços e construindo edifícios complementares que dessem vida ao projeto Casa Zuzu Angel de Memória da Moda no Brasil. Nosso objetivo era abrigar um programa variado e interativo, incluindo espaço para exposições, salas de aula, biblioteca, acervo, laboratório de restauração de têxteis e residência para pesquisadores.

Diante de seu grande valor histórico, a casa passa hoje por um processo de tombamento pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro. Dessa forma, nosso projeto de restauração se preocupa em conservar suas características originais, como azulejos, adornos, vitrais e painéis.

O projeto arquitetônico tem como diretriz a valorização da qualidade dos espaços pré- existentes da casa, buscando realçar sua arquitetura de valor histórico. Para isso, propomos como conceito de estruturação um eixo de circulação capaz de articular as novas construções e a casa existente, de forma eficiente e confortável, organizando os diferentes fluxos e otimizando a circulação vertical.

Na entrada principal, na rua Rocha Miranda, o objetivo da materialidade da nova construção foi realizar um jogo com as temporalidades. Os momentos construtivos se confundem e mostram o valor atemporal que as edificações podem assumir como expressão arquitetônica.

O princípio é utilizar um material único e bruto, que será lapidado pelo tempo, adquirindo as marcas das intempéries e transformações materiais. O novo objeto arquitetônico será colocado ao lado do edifício histórico, assumindo um caráter passivo e integrado ao entorno. Sendo a casa uma sucessão de ações em diversas épocas, o novo objeto cenário absorverá com elegância as marcas causadas pelo tempo.

A nova construção abrigará parte do acervo e sala de exposição, ambientes que requerem um tratamento especial de climatização. Para tanto, sua volumetria foi pensada de forma a garantir a estanqueidade dos ambientes.

Um dos grandes desafios do projeto foi conciliar o desnível existente no terreno, onde as edificações estão implantadas, de forma a criar uma circulação vertical (elevadores, escadas e monta carga) que pudesse atender com eficiência e de forma otimizada todas as partes do edifício.

As circulações verticais, ao contrário do espaço expositivo interno, permitem a entrada de luz natural, se abrindo ao exterior. Seu percurso foi pensado para que se pudesse desfrutar da extasiante vista do pátio posterior com o maciço da Tijuca ao fundo. Esse núcleo faz a conexão entre todos os níveis, permitindo o acesso aos pavimentos de acervo, salas de aula, exposição e às áreas técnicas. 

Para enfrentar o desafio de adequar o novo programa à edificação existente, optou-se por utilizar uma pele, feita de chapa metálica perfurada. O material assume um papel de costura entre a nova arquitetura e a histórica. A possibilidade de usá-lo com diferentes graus de opacidade torna-o flexível o suficiente para ser um fechamento de diferentes compartimentos. Além disso, propõe-se que nesta chapa seja impresso uma das estampas criadas por Zuzu Angel. A chapa é usada na circulação de forma bastante transparente, enquanto que, no acervo de indumentária, é opaca, recoberta por trás com camadas isolantes térmicas.

O museu-escola foi pensado como local de aprendizado constante. Suas áreas técnicas, destinadas à restauração de têxteis, foram concebidas para serem completamente devassadas. Desta forma, o visitante pode compreender as diversas etapas envolvidas no processo de conservação do acervo.

Projeto: Estúdio Guanabara

Projetos complementares: Astorga Arquitetura, MCM Engenharia, Sygmatekfire

Construtora: Studio G

Local: Usina, Rio de Janeiro

Área: 1.900 m²

Ano: 2014

Categoria: Projeto de arquitetura

Fase: Obra da primeira fase finalizada

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